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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28014: Notas de leitura (1922 "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte X: À falta de vaca, avançou o hipopótamo para o rancho


Guiné > Regfião do Cacheu >Có > 2ª CART /BART 6521/72 (Có, 1972/74) > s/d> "À falta de vaca, o hipopótamo avançou para o 'rancho' " (Ferreira, L. C., "Os Có Boys", ed. autor, s/l, 2025, pág. 82). Náo sabemos se o animal foi caçado pela tropa ou por algum nativo.

Foto (e legenda): ©  Luís da Cruz Ferreira (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Oeiras > Algés > Magnífica Tabanca da Linha > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >  Luís da Cruz Ferreira (o "Beatle") (Cascais),  autor do livro de memórias "Os Có Boys" (ed. autor, Cascais, 2025, 184 pp.), nosso grão-tabanqueiro nº 913, apadrinhado pelo Pinto Carvalho.

 
1. Retomamos hoje a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhos da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)



Faz parte da nossa Tabanca Grande desde 26/2/2026. Vive em Cascais.

Sinopse dos postes anteriores (*):

(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;

(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);

(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo aux enf, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);

(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;

(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.

(vi) após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308;

(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.

(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có";

(ix) no último poste relatou a emboscada à coluna Teixeira Pinto - Pelundo - Có - João Landim - Bissau, ocorrida em 31/10/1972 (*).


2. Ainda na fase da sobreposição com os "velhinhos", a CCAÇ 3308, o "Beatle" tinha que sair para o mato, a mala de bolsa de enfermeiro e a G3, integrado num pelotão (geralmente iam dois), em patrulhamentos de reconhecimento do subsector de Có (contactos com a população, identificação dos trilhos e exploração dos pontos de maior risco, etc.)



(pág. 81)

Foi nessas saídas que o nosso "Beatle" viu hipopótamos, animais que não era fácil de avistar ao perto. Não crem0s que muitos dos nossos camaradas os tenham visto, dado o seu "habitat" e comportamento furtivo. 

As populações continentais, de água doce, estão ligadas às grandes bacias hidrográficas do interior ( Cacheu, Geba, Corubal, Mansoa, entre outras) e deslocam-se sobretudo de noite para alimentação em savana húmida e bolanhas. Já os de Orango, nos Bijagós, da mesma espécie, que vivem também em água salgada, têm um comportamento adapativo.

Nas zonas dos grandes rios ( Cacheu, Mansoa, Geba, Corubal ) os hipopótamos sempre tiveram uma relação ambígua com as populações locais: animal respeitado ("sagrado", nos Bijagós, na ilha de Orango), por vezes temido, também é fonte ocasional de carne, gordura e couro. 

Em tempos de escassez, um único hipopótamo podia alimentar uma tabanca inteira durante vários dias.

Quanto ao sabor, os testemunhos de caçadores, viajantes e populações africanas de várias regiões costumam descrevê-lo assim: (i) carne escura, vermelha, muito densa; (ii) textura firme, entre vaca brava e búfalo; (iii) sabor forte, “selvagem”, mas menos intenso do que o da caça grossa africana; (iv) para alguns, seria uma mistura de vaca e javali; (v) a gordura é apreciada em certos locais, mas pode ter um cheiro intenso; (vi) a carne dos animais mais velhos tende a ser dura, exigindo cozedura longa ou fumagem (em África, muitas vezes é seca ao sol ou fumada para conservação).

Na época colonial, alguns "tugas" consideravam a  carne de hipopótamo como “boa para estufados” e “muito nutritiva”, embora não fosse propriamente um produto "gourmet".  

Hoje, porém, o consumo está muito mais condicionado,  por diversas razões: (i) o hipopótamo está legalmente protegido; (ii) há uma dominuição drática das população (outrora muito abundante na África Ocidental, as populações de hipopótamios da Guiné-Bissau representam atualmente o extremo ocidental da distribuição da espécie); (iii) continua a haver a pressão da caça furtiva; (iv) há cada vez mais riscos sanitários ligados ao consumo de carne selvagem, sob controlo veterinário; (v) os parques naturais, como o dos Tarrafes do Rio Cacheu e o de Orango, tentam preservar a espécie.

Curiosamente, na tradição bijagó, sobretudo em Orango, os hipopótamos têm também uma dimensão simbólica e espiritual muito forte, o que limita ou proíbe a caça em certas comunidades. Já no continente, a relação foi historicamente mais pragmática.


Mas voltando às memórias do Luís da Cruz Ferreira, depreende-se da sua leitura que as relações da tropa com a população local (de etnia predominantemente mancanha), parece que eram boas, apesar de algumas famílias terem "parentes no mato". 

(pág. 83)


Embora a zona não fosse das de maior risco ("em termos da atividade da guerrilha", pág. 84),a caça era relativamente abundante. Os caçadores de Có, nomeadamente mancanhas e que pertenciam também à milícia, saíam, com a  devida autorização, para caçar com a velha Mauser. Eram eles que forneciam a caça para o quartel: "Gazelas, javalis e cabras eram estas as espécies que os caçadores com mais frequência faziam chegar até nós" (pág. 84).

(Continua)

Pesquisa: LG + Net + IA (ChatGPT/OpenAi)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG) 


Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 81-82 (**)

______________


(**) Último poste da série > 11 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28010: Notas de leitura (1921): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (7) (Mário Beja Santos)

terça-feira, 12 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28013: Humor de caserna (265): A ronda do sono e as sentinelas... desarmadas (Fernando de Jesus Anciães / Joaquim Pinto de Carvalho, CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852, Buba, 1971/73)







Ilustração: IA generativa (ChatGPT / OpenAI), composição (e legendagem)  orientada pelo editor LG, sob história contada pelo FJA/JAPC .11 de maio de 2026, 



1. Quem é que não se lembras destas expressões da gíria ou calão de caserna  que usávamos para designar "dormir" ?!... Quem é que, nas longas noites quentes e húmidas da Guiné, naquelas horas mortais da madrugada, no aquartelamento ou destacamento no mato, no seu posto de sentinela, não foi apanhado pela ronda a "chonar", a "ferrar o galho", a "passar pelas brasas", a "bater a sua sorna", com a sua "namorada" (a G3), pousada no peito...? 

A gíria ou calão de caserna é um universo à parte, cheio de criatividade e ironia, especialmente para escapar à monotonia e ao cansaço das noites intermináveis na Guiné: onde havia de tudo, mosquitos, e miríades de outros insetos, calor, humidade, chuva, trovoada (conforme a estação),  uivos das hienas, silvos de granadas, very ligths, balas tracejantes...  Mas também tédio, cansado, medo, lassidão, angústia, sono, sobretudo muito sono...

Eis algumas expressões para "dormir" (ou tentá-lo) no posto de sentinela, em emboscada,  no mato, ou na caserna, em véspera de uma "saída":
´
  • "Chonar" ( ou "xonar") – Clássico, vindo do calão lisboeta, mas adoptado em todo o lado; era o verbo por excelência para "dormir" (ou "tirar uma sesta", mesmo que fosse só uns minutos entre turnos);
  • "Ferrar o galho" – Esta era mais usada para "dormir profundamente", muitas vezes em situações menos formais ou quando se aproveitava um momento de folga;
  • "Passar pelas brasas" – Esta tinha um tom mais irónico, como se fosse um ritual de resistência: aguentar o sono a todo o custo, mas acabava por ser o mesmo que "adormecer"; sinónimo: passar pelo sono;
  • "Bater a sorna" – Outra pérola! Sorna era o sono, e bater era tirá-lo, mesmo que fosse à pressa: às vezes ouvia-se também "bater uma soneca";
  • "Pegar no sono" – Mais literal, mas também muito usada.
  • "Dormir a sono solto" – Quando o cansaço era tanto que nem a ronda ou os mosquitos ou os "turras" conseguiam acordar.
  • "Ninar" – Usada mais em tom de brincadeira, como se alguém estivesse a embalar-se e a dormecer (ao som de uma cantiga);
  • "Dormir como um prego" – Esta era mais específica: dormir em pé, encostado a uma parede ou a um poste, como os soldados faziam nos postos de sentinela (com a G3 ao peito); ter um sonmo profundo; sinónimo: dormir como um anjo;
  • "Fazer a sesta do leão" – Para quem conseguia dormir em qualquer lado, como os animais do mato;
  • "Estar a sonhar com a terra" – Quando o sono era tão profundo que se sonhava com Portugal, com a família, ou com a comidinha da mamã.
 
Outras expressões relacionadas com o sono (ou a falta dele):
 
  • "Ficar a olhar para o teto" – Quando não se conseguia dormir, mas se fingia que sim (neste caso, olhar para o céu estrelado, ou para o negrume da floresta à volta);
  • "Ficar a contar carneiros" – Quando não se tem sono, ou quando se tem insónias;
  • "O sono é o melhor soldado" – Um ditado que se ouvia muito, especialmente nas noites antes de uma operação; sinónimo: passar a noite em branco;
  • "A ronda não perdoa" – Para quem era apanhado a "chonar" em serviço.
  • "Dormir de olho aberto" – Literalmente, tentava-se, mas não era fácil com o calor, a humidade,  os mosquitos, os ruídos da mata;
  • "O sono é o único luxo que não se paga" – Uma forma de justificar uns minutos de descanso roubados;
  • "O sono é o melhor médico" – Provérbio judaico;
  • "O teu mal é sono" – Quando  uum gajo andava a bater com a cabeça pelas paredes (ou nas árvores e arbustos, em operações, ou no gajo da frente); sinónimo: bêbedo de sono.


Pinto Carvalho.

Foto  LG (2010)

E a G3 como "namorada"? Essa sim, era uma imagem recorrente! A G3 era a nossa companheira constante, sempre ao peito ou ao lado (na cama, na caserna) como uma namorada (ciumenta) que não se podia largar. E quando se adormecia com ela ao colo, era sinal que o cansaço tinha ganho a batalha.


2. E a propósito do sono ( em tempo de guerra), temos hoje mais   um contributo do  nosso colaborador permanente
Joaquim António Pinto Carvalho (JAPC) que, como já o dissemos, é reconhecidamente, um homem dotado de apurado sentido de humor. 

Foi alf mil da CCAÇ 3398/BCAÇ 3852 (Buba) e CCAÇ 6 (Bedanda) (1971/73). É hoje advogado, ainda no ativo. 

Da brochura, de que é autor,  com a história da unidade, a CCAÇ 3398, distribuída no respetivo XXV Convívio, realizado no Cadaval, em 18/9/2021,  vamos "sacar" mais uma historieta engraçada,  que o JAPC recolheu junto do seu camarada, também ele alf mil at inf, Fernando de Jesus Anciães (FJA).



Fonte: "A 'chama' que nos chamou: um contributo para a história da CCAÇ 3398, "Os Incendiários", Buba, Guiné, 1971-1973, na comemoração do seu cinquentenário. Edição de autor, s/l, 2021, pp. 55/56. (Com devida vénia...)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27996: Humor de caserna (264): o 1º cabo corneteiro António Torres (1949-2023), CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852 (Buba, 1971/73), no HM 241, sujeito a uma delicada e embaraçosa operação cirúrgica a um varicocelo (Joaquim Pinto de Carvalho)

 


Brasão da CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852, Os Incendiários" (Buba, 1971/73)



Notícia necrológica: António Rodrigues Meira Torres (1949-2023). In: "Voz de Antas", diretor/editor: Pe. M. Brito Ferreira, Antas, Esposende, março-abril 2023, nº 314, 3ªISSN 2182 - 474, pág, 4, 


1. O António Torres foi 1º cabo corneteiro, nº 14327070, CCAC 3398 / BCAÇ 3852 (Buba, 1971/73). Nasceu em S. Paio de Antas, Esposende, em 1949. Era o quarto de 8 irmãos. Fez parte da banda de música de Antas, onde, durante oito nos, tocou clarinete. Tembém tocava viola. Na tropa foi corneteiro. Foi mobilizado para a Guiné, integrando a CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852, "Os Incendiártios" (Buba, 1971/74). Depois da peluda esteve um ano em França e dez na Venezuela onde exerceu a sua profissãod de carpinteiro. No regresso a Portugal, foi viver para Fão, Esposende.  Morreu em 2023. Está sepultado na sua terra natal. 

O António Torres é o protagonista desta história pícara que ele transmitiu, oralmente, ainda em vida ao Joaquim Pinto Carvalho e que este adaptou livremente, publicando-a na brochura "A 'chama' que nos chamou:  um contributo para a história da CCAÇ 3398, 'Os Incendiários', Buba, Guiné (1971-1973), na comemoração do seu cinquentenário" (ed. de autor, s/l, 2021, 88 pp.). (O livro foi lançado no Cadaval, em 18/9/2021, no âmbito do XXV convívio anual da CCAÇ 3398, comemorativo dos 50 anos da constituição da subunidade.)

A história das nossas unidades devia/deve ser também  um apanhado das "pequenas histórias" de cada um dos militiares que as integraram, nomedamente no TO da Guiné. Esta, com o seu quê de  brejeiro bem  nortenho, passa-se com o 1º cabo corneteiro António Torres que teve se ser operado de urgência, no HM 241, em Bissau, por causa de um varicocele (ou varicocelo (=tumor formado pela dilatação varicosa das veias do cordão espermático, segundo o dicionário Priberam, e que pode ser causa de infertilidade masculina).

É também uma homenagem, do autor e do nosso blogue,  a este camarada que faleceu por doença em 2023, e que era presença regular nos convívios dos "incendiários de Buba". Repare-se na elegância e subtileza com que a cena é reconstituída e descrita pelo nosso Joaquim António Pinto de Carvalho (JAPC), prova de que não é preciso usar o palavrão de caserna, isto é, "ser ordinário", para pôr o leitor a rir ou a sorrir.  

Nem, de resto,  ficava bem a um membro da "nobreza" tabanqueira: afinal, o JAPC é o nosso "Duque do Cadaval", e o régulo da distinta, seleta e algo misteriosa Tabanca do Atira-te ao Mar (...E Não Tenhas Medo).


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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27992: Humor de caserna (263): O anedotário da Spinolândia - Parte XXXIII: Os cocos do Sr. Gouveia (leia-se, da CUF)... Uma cena tão divertida quanto edificante, passada na IAO, em Bolama (Joaquim Pinto Carvalho, ex-alf mil at inf, CCAÇ 3398, Buba, 1971/73)


Guiné > Zona leste > Bafatá > Vista aérea  (parcial) > c. 1969/1970 > Rua principal da vila (mais tarde, cidade) > Do lado direito, em primeiro plano, o principal estabelecimento da cidade, uma sucursal da Casa Gouveia (que tinha a sua sede em Bissau).

Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]



Pinto Carvalho.
Foto  LG (2010

1. O nosso colaborador permanente
Joaquim Pinto Carvalho é, reconhecidamente, um homem dotado de elevado sentido de humor. Perito nos trocadilhos, no uso do segundo sentido, no subtil manejo das palavras. Foi alf mil da CCAÇ 3398/BCAÇ 3852 (Buba) e CCAÇ 6 (Bedanda) (1971/73).  (O BCAÇ 3852, em 5 de agosto de 1973, recebeu um louvor do com-chefe, gen António Spínola; regressou à metrópole, de avião, no início de setembro de 1973.)

Além disso, é um poeta de talento. E tem o culto da memória (e da amizade). Adora, por outro lado, conviver. Faz parte da Magnífica Tabanca da Linha e da Tabanca do Centro.  

Natural do Cadaval, é advogado, e régulo da Tabanca do Atira-te ao Mar (... e Não Tenhas Medo), Porto das Barcas, Atalaia, Lourinhã.

É autor de uma brochura com a história da unidade, a CCAÇ 3398, distribuída no respetivo XXV Convívio, realizado no Cadaval, em 18/9/2021. 

Tem  80 referências no nosso blogue, e é membro nº 633 da Tabanca Grande (desde 7/12/2013).

Este ano, a 9 de maio, em Águeda, a CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852 ("Os Incendiários", Buba, 1971/73) vai realizar o seu XXX Convívio Anual. Achámos por bem, em homenagem a estes "piromaníacos", publicar aqui esta história, "divertida" mas também "edificante" (*),  do tempo em que passaram pelo CIM de Bolama: nas andanças da IAO  (de 5 de a 31 de julho de 1971), o Joaquim com o seu pelotão entrou, sem dar por isso, numa plantação de coqueiros que tinha dono.

O sr. Gouveiia, abaixo referido, não seria por certo o fundador da Casa Gouveia... Recorde-se o que aqui já dissemos sobre ele o António da Silva Gouveia:
  •  foi deputado republicano, entre 1911 e 1915;
  • era um típico "africanista" do Séc. XIX que se instalara em Bolama justamente em 1879;
  •  devia ter nascido por volta de 1850;
  • em Bolama, capital da província, criara a maior empresa daquela colónia africana, a Casa Gouveia;
  • mais tarde, em 1921, a Casa Gouveia é adquirida pela CUF - Companhia União Fabril, que passou a ser o sócio mairitário; 
  • em 1961, passaria a sociedade anónima, por ações.

De 1911 a 1915, António Silva Gouveia teve assento na Câmara dos Deputados, como representante da Província. Em 1912 aderiu ao Partido Republicano Evolucionista, dirigido por António José de Almeida (considerado de centro-direita, dentro do republicanismo).

(...) Este homem, de que se desconhecem muitos aspectos da sua vida, e que antes de ser empresário e político, foi "moço e marinheiro, piloto e capitão de navios" (sic), orgulhando-se de conhecer toda a África, ocidental e oriental, mereceria muito provavelmente uma boa história, uma boa biografia, um bom filme... 

Não sabemos onde nasceu nem onde morreu. Fazia gala de dizer que era "um homem que não tinha o exame de instrução primária" e que acreditava na "iniciativa privada", vociferando contra o estado (lastimável) em que se encontrava a província no início do Séc. XX. (...) (**)

A Casa Gouveia, com sede em Bissau, servia a totalidade do território devido às suas sucursais que, em 1948,  eram 14: Bafatá, Bambadinca, Binta, Bissorã, Bolama, Brames, Cacheu, Teixeira Pinto, Farim, Nova Lamego, Geba, Mansoa, Sonaco e Pelundo. Sucursais em que se vendiam bens adaptados à vida em contexto rural e atmosfera étnica (têxteis, bicicletas, aparelhos de rádio, máquinas de costura, utilidades domésticas e querosene).

Era a principal empresa da Guiné, e nomeadamente ao nível das exportações:

(...) "reunia e transportava para a metrópole os cultivos locais (mancarra, purgueira, rícino, algodão, mandioca) e as produções espontâneas de palmares, mangais, arrozais, bananais e outras frutas tropicais. Na segunda metade dos anos 1920 a procura internacional de produtos como a borracha e as oleaginosas desceu e bem assim os seus preços, no contexto das dificuldades da Grande Depressão de 1929-1933.”  (Fonte: Poste P24235, de 19 de abril de 2023).

Vd. poste de  27 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27958: Humor de caserna (260): O anedotário da Spinolândia - Parte XXXII: o cheirinho a roupa lavada (Joaquim Costa, ex-fur mil Arm Pes Inf, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)

domingo, 29 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27869: Fotos à procura de...uma legenda (202): No Dia Mundial da Poesia e da Árvore (Joaquim Pinto de Carvalho, régulo da Tabanca do Atira-te ao Mar)

 


Lourinhã > Atalaia > Porto das Barcas > Tabanca do Atira-te ao Mar > 21 de março de 2026 > > Escreveu o fotógrafo (e poeta)  Joaquim Pinto Carvalho, régulo da Tabanca do Atira-Te ao Mar e nosso colaborador permanente (para as questões jurídicas): "Dia Mundial da Poesia e da Árvore: poesia suprema: nenmhum poeta é capaz deste poema". Assinado: JAPCarvalho.


Foto (e legenda): © JAPCarvalho (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Belíssima (e feliz) imagem, Joaquim, daquelas que nos fazem ficar em silêncio, por um instante,  suspensos sobre o mundo, as suas misérias e grandezas... (Tirada a 50 metros da arriba, do terraço da tua casa./
 
E que desafio (ou provocação ?) nos fazes.... Conceptualmente, podemos achar  que fotografia e poesia são coisas distintas. Uma trabalha com as palavras, a outra com a luz, uma constrói/reconstrói, a outra capta/fixa.

Estamos de acordo num ponto: ambas fazem a mesma coisa por caminhos diferentes, tentam fixar o indizível, já que a realidade não fala por si...Precisamos de "óculos" para a ver, para a conhecer...

A fotografia com que celebraste o teu/nosso on Dia Mundial da Poesia e da Árvore (!)  tem vários elementos ou signos que são quase “versos” visuais:

(i) o sol suspenso no horizonte (um instante do dia que está a desaparecer e volta a aparecer 12 horas depois, afinal o eterno retorno);

(ii) o  reflexo vertical na água (quase como uma coluna de luz, um eixo estruturante da vida e  do mundo);

(iii) a árvore seca (ou, pelo menos, despida) recortada, quase humana, como uma figura solitária que observa o contraste entre vida/luz e morte/esqueleto (uma sentinela que foi morta  mas que teima  em permanecer de pé no seu posto)...

Joaquim, isto não é só registo, "instantâneo", tecnologia!.. Há interpretação, há escolha, há ação, há silêncio... E logo por ti,  que  és um místico, um poeta, um músico, um coralista, um artista... Por isso, estar aqui discutir onde acaba a fotografia e começa a poesia, é discutir o sexo dos anjos. 

A fotografia não é poesia no mesmo plano, é outra linguagem. O poeta e o fotógrafo tal como o músico e o artista plástico não se excluem, completam-se, falam linguagens diferentes,  mas são todS, essas "disciplinas",  distintas formas de conhecimento estético,

 “Poesia suprema: nenhum poeta é capaz deste poema”... Suprema legenda, mas também saudavelmente  provocadora. Estás a dizer: a natureza faz o poema que o homem não consegue escrever.

2. Deixemos, Joaquim,  aos nossos leitores o desafio  (e o privilégio)  de legendar a tua foto ou completar a tua legenda... Obrigado pela tua dádiva... Que bela prenda neste Dia da Poesia e da Árvore!

Alguns dirão: legendas ( ou mais legendas) para quê ? Uma imagem vale mil palavras... Seja! Mas se a  poesia escreve o mundo, a fotografia revela o instante em que o mundo já está escrito.

Há momentos, como este pôr do sol no Port das Barcas (topónimo que remonta aos tempos medievais), em que tu ou eu, ou qualquer outro poeta, ficamos de facto "desarmados" como nesta imagem que neutraliza  ( ou pode dispensar até) a  palavra. 

Sem dúvida, a tua foto  “fala por si", nem sequer precisa da tua legenda  para ganhar  peso poético...

No entanto. eu gostaria de a "contextualizar": não é uma fotografia qualquer, igual a milhares  de outras sobre o pôr do sol tiradas do alto de uma arriba; não, esse sítio é um " lugar com alma", a Tabanca do Atira-te ao Mar... 

É uma das nossas "geografias emocionais", um lugar que tem tudo o que faz memória, como na nossa Guiné : refúgio, emoção, partilha, "medo lá fora e vida cá dentro"...

A imagem ganha outra espessura e significado quando dissermos ( ou recordarmos ) aos nossos leitores) que o local foi um dos nossos refúgios  (mais ou menos secretos) na pandemia de covid-19. 

Temos, aliás, 3 dezenas de referências no blogue a esta algo misteriosa Tabanca,  conhecida de poucos de nós. E onde ainda hoje almocei um maravilhoso peixe seco cozido (raia, sapata...) com batatas e muita cebola. Com vista para o Cabo Carvoeiro, as Berlengas e o "Mare Nostrum" dos nossos antepassados.

Na Tabanca do Atira-te ao Mar, aprendemos juntos que o mundo podia fechar as portas, as janelas, os portos, os aeroportos, as fronteiras... Podia confinar-nos  mas não á  nossa amizade e á  nossa camaradagem...

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Nota do editor LG:

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)


Oeiras > Algés > Magnífica Tabanca da Linha > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário > Joaquim Pinto Carvalho (Cadaval) e o Luís da Cruz Ferreira (o "Beatle") (Cascais),  autor do livro de memórias "Os Có Boys" (ed. autor, Cascais, 2025, 184 pp.), e próximo grão-tabanqueiro nº 913, apadrinhado pelo Pinto Carvalho.

Foto © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legtendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 

1. Retomando a nossa leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhos da memória" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*). (Revisão / fixação de texto: J. Pinto de Carvalho.)

Sinopse dos postes anteriores (*):

(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;

(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);

(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);

(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;

(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.



(vi) após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308;

(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.
(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có" ( o nome não poderia sugerido pela personagem da novela brasileira Roque Santeiro, uma vez que esta só foi produzida pela TV Globo em 1985 e exibida em Portugal, na RTP1, entre outubro de 1987 e agosto de 1988).


2. Uma das partes notáveis do livro, pela vivacidade da descrição, a riqueza de detalhes e também sua dose de humor de caserna,  é "a coluna de Teixeira Pinto" (hoje, Canchungo) (pp. 73-80). 

Num troço de estrada já alcatroada (entre o Pelundo e o Có), e ainda na altura da sobreposição da 2ª C/BART 6521/72 com a CCAÇ 3308, o PAIGC monta uma emboscada com fornilhos, à coluna que seguia  de Teixeira Pinto para Pelundo, Có, Joâo Landim e Bissau (havia duas por semana).

É o batismo de fogo de alguns  "periquitos" (2ª C/BART 6521/72) e a despedida dos "velhinhos" (CCAÇ 3308). O autor não ia na coluna, que de resto não era atacada há muito, mas reconstituiu a "cena" a partir dos depoimentos de quem viveu os acontecimentos.

Vamos selecionar agluns excertos. 

Recorde-se que o BART 6521/72 veio render, em 25Nov72,  o BCaç 3833, passando a assumir a responsabilidade do Sector 07 (Oeste 7), com sede em Pelundo (1ª Comp: Pelundo. 2ª Comp: Có: 3ª Comp: Jolmete.

Pormenor importante: as estradas alcatroadas da "Guiné Melhor" não vieram resolver o problema das "minas & armadilhas"... Resolveram, sim,  a "chatice" da picagem, penosa, cansativa, perigosa... E cruaram uma perigosa sensação de liberdade de movimentos e de segurança.

Nas novas estradas, andava-se a maior velocidade (por evezes exessiva)  e o alcatrão não impedia que, nas bermas, o IN instalasse traiçoeiros e perigosíssimos  fornilhos, com fios de tropeçar de muitos metros...

Meia-dúzia de atiradores do PAIGC, apoiados na retaguarda por armas pesadas de infantaria, podiam dar cabo de uma coluna ou gerar o pânico (entre civis e militares)...E sobretudo obrigavam  um esforço redobrado (e desmedido) das NT em termos de segurança. 

Parafraseando o autor, mais do que "desvastadora", aquela guerra era sobretudo "desmoralizadora"... De resto, para ambos os lados...Mas, para os "periquitos", acabados de chegar da Metrópole, aquela emboscada na "curva da morte", na estrada Pelundo-Có, era de mau agoiro, começava-se mal...Como dizia, na chalaça e para desanuviar o ambiente, um dos "có boys", que seria de etnia cigana, também o seu povo "não gostava de ver bons princípios aos filhos" (pág. 79).

Curiosamente, são raras as referências à participação de militares, oriundos da minoria étnica cigana, na guerra que a elite dirigente do país, na época, dizia que era uma guerra de todos nós, portugueses da metrópole e do ultramar, de Angola a Goa, de Cabo Verde a Timor, "brancos, pretos, mestiços, amarelos"...



Guiné > Carta de Pelundo (1953) (Escala 1/50 mil) >
 Troço Pelundo - Có - Rio Mansoa; a nrodeste, Jolmete; este triángulo formava o Sector O7.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)









pp. 73-77 (**)



Esta emboscada à coluna oriunda de Teixeira Pinto (que em princípio se fazia duas vezes pro semana), foi mais perto de Có, na chamada "curva da morte" (havia muitas, nas estradas e picadas da Guiné). Os feridos mais ligeiros foram tratados em Có, o aquartelamento mais próximo. Entre eles, estava o 2º cmdt do BCAC 3833, que o BART 6521/72 vinha render. 

O major (maj inf Bernardino Rodrigues dos Santos ou maj inf  Manuel Basílio de Almeida Teixeira de Aguiar da Câmara, um deles) terá sido cuspido do jipe (não se usava cinto de segurança nesse tempo, ironiza o nosso "Beatle"). 

Depois de uma massagem com a "milagrosa pomada Synalar", foi-lhe recomendado que se dirigisse ao bar de oficiais para tomar a segunda dose da medicação, o "reconfortanto xarope James Martin" (pp. 78/79).

E aproveita o autor para descrever o a cantina das praças, com o traço grosso da caricatura, e a imagem deliciosa do "bordel do mato":

"Na cantina a abarrotar de velhos e novos de garganta seca e fumando como comboios a carvão, a luta para se abeirarerm do balcão era intensa. Ali, a  sede era menos exclusiva, contudo mais extensa, e necessitava de mais quantidade de líquido para se apaziguar" (pág. 79).

Fazendo juz à sua experiência e ao seu saber de "barman" na vida civil, o "Beatle" acrescentaem tom pícaro e  com um delicioso sarcasmo:

"O sistema na cantina era como aquele velho ditado sobre a mais velha profissão do mundo: «cú no chão, dinheiro na mão". 

Não havia fiados para as praças. Soldados e cabos não usufruíam desse direito que era comum aos restantes  militares graduados. O que é certo  é que, por isso, só se abeirava do balcão da cantina quem tinha algum dinheiro, para comprar a sua 'bazuca' ou para oferecer uma ao camarada." (pág. 79).




(...) 

pág. 80

Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 73-77 e 80

(Revisão/fixação de texto: LG)
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A Metralhadora Ligeira Degtyarev RPD, se é essa a que te referes, era alimentada por um ambor com fita no seu interior com 100 projécteis.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27708: O nosso livro de estilo (21): Três novos colaboradores permanentes: José Teixeira, João Cristóstomo e Joaquim Pinto Carvalho: Welcome aboard, captains!

José Teixeira, colaborador permanente 
(Tabancas, Cooperação & Desenvolvimento )



Ex-1.º cabo aux enf, CCAÇ 2381 (Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70); escritor, gerente bancário reformado; vive em Leça do Balio, Matosinhos: histórico da Tabanca Grande, cofundador e régulo da Tabanca de Matosinhos


João Crisóstomo, colaborador permanente 
(Relações externas & diáspora lusófona)


Ex-alf mil inf, CCAÇ 1439 439 (Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): natural de Torres Vedras, luso-americano, vive em Nova Iorque desde 1977; ativista social, conhecido por causas como Foz Côa, Timor Leste, Aristides Sousa Mendes


Joaquim Pinto Carvalho, colaborador permanente
 (Apoio jurídico)


Ex-alf mil inf, CCAÇ 3398 (Buba) e CCAÇ 6 (Bedanda) (1971/73); natural do Cadaval, advogado, poeta e régulo da Tabanca do Atira-te ao Mar e Náo Tenhas Medo (foi "arca de Noé" na pandemia...), Porto das Barcas, Atalaia, Lourinhã


1. Três novos colaboradores permanenentes vêm-se juntar à nossa  esquipa que, de vez em quando, tem que se renovar, segundo as leis da vida e o ciclo deo eterno retormo: por exemplo, o Joaquim Pinto Carvalho vem ocupar o lugar vago com a morte do seu nosso sempre querido Jorge Cabral (1944-2021).  É advogado e ainda está no ativo. Além disso, convive com frequência connosco. Contamos com ele para o "apoio jurídico". 

O José Teixeira e o João Cristómos são escolhas óbvias para os "pelouros" que gostamos de acarinhar e precisamos de cuidar mais: os "negócios internos e externos". 

De resto, pelo seu perfil e currículo completam-se. 

O José Teixeira  é régulo da Tabanca de Matosinhos, e seu cofundador. A Tabanca Pequena de Matosinhos foi, historicamente, a primeira a ser criada, enquanto tertúlia, seguindo o exemplo da Tabanca Grande, "mãe de todas as tabancas". 

Tem, além disso, um grande abertura, sensibilidade e experiência no que  diz respeito às questões da cooperação e desenvolvimento.  Foi um dos antigos combatentes mais ativos na liderança de projetos de ajuda e cooperação com a Guiné-Bissau.

O João Crisóstomo, luso-americano, vive na "diáspora lusófona". E, como o Zé Teixeira, faz também facilmente "pontes" entre tabancas e comunidades lusófonas.   

São ambos "homens de causas", pessoas solidárias e cidadãos ativos, e nutrem, igualmente, um grande carinho por este projeto, que já é mais do que um simples blogue, é uma comunidade, virtual e real, de amigos e camaradas da Guiné. 

Tal como o nosso blogue, são três pessoas com valores e princípios. Não estão cá só para compor o ramalhete... São grão-tabanqueiros com quem os editores podem contar, e nomeadamente com o seu conselho, sabedoria, experiência... 

E , não menso importante,  estão ao alcance  de um clique: 
  • um em Nova Iorque (e, pelo menos uma ou duas vezes por ano, na Lourinhã), o João; 
  • outro em Matosinhos, o Zé;
  • e outro ainda, o Joaquim, entre o Cadaval, Lisboa, Carnaxide e Lourinhã...

Welcome aboard, captains! E parabéns, Zé, que hoje é também o teu dia!

Luís Graça, 6/2/2026
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2. Lista dos atuais editores e colaboradores permanentes do blogue (c0nstante da badana do blogue,  ou coluna estática, do lado esquerdo):


Luís Graça, fundador, administrador e editor do blogue


Vive entre a Lourinhã, Alfragide e, às vezes, Candoz. Sociólogo do trabalho e da saúde, doutorado em saúde pública, foi professor na ENSP/NOVA (até 2017). Casado, com a Alice Carneiro. Esteve na Guiné (CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, mai69 / mar71)


Carlos Vinhal, coeditor e administrador desde 25 de maio de 2007


Nasceu em 1948, Vila do Conde. Vive em Leça da Palmeira, Matosinhos. Aposentado da Função Pública, APDL. Cumpriu a sua comissão de serviço na Guiné (Mansabá, abr70 / mar72, integrando como Fur Mil At Art MA, a CART 2732. Grão-tabanqueiro desde 25 de março de 2006



Eduardo J. Magalhães Ribeiro, coeditor


Nasceu em 27/3/1952, em Matosinhos, foi Fur Mil OE, CCS / BCaç 4612/74 (Cumeré, Mansoa e Brá). Seguiu para a Guiné já depois do 25 de Abril, tendo regressado na última viagem, com tropas, do navio Uíge, em 15/10/74. Aposentado da EDP (onde trabalhou no Departamento de Manutenção Mecânica da Produção Hidráulica). Pertenceu aos Corpos Directivos da AOE (Associação de Operações Especiais) e LAMMP (Liga dos Amigos do Museu Militar do Porto).


Jorge Araújo, coeditor, a partir de março de 2018


Ex-fur mil OE / Ranger, CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974); doutorado pela Universidade de León (Espanha) (2009), em Ciências da Atividade Física e do Desporto; professor universitário, no ISMAT, Grupo Lusófona, aposentado; vive entre Almada e os Emiratos Árabes Unidos.


Virgínio Briote, coeditor (jubilado)


Nascido em Cascais, frequentou a Academia Militar, em 1962, foi Alf Mil em Cuntima, CCAV 489 / BCAV 490 (Jan-mai1965). Fez o 2.º curso de Comandos do CTIG. Comandou o Grupo Diabólicos (Set 1965 / Set 1966). Regressou em Jan 1967. Casado com a Maria Irene. Foi quadro superior da indústria farmacêutica.


Cherno Baldé, "Chico de Fajonquito", colaborador permanente (assuntos étnico-linguísticos)


Nasceu em Fajonquito, setor de Contuboel, no início dos anos 60. Futa e guineense, aprendeu a ler e a escrever com a NT. Tem formação superior universitário (Kiev e Lisboa). É gestor de projetos, consultor independente. Vive em Bissau. Muçulmano, é casado com uma nalu, cristã. Tem 4 filhos.


Humberto Reis, colaborador permanente (o nosso cartógrafo-mor)


O ex-Fur Mil, OE/ranger, CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, mai69/mar71) é o nosso primeiro e até agora único mecenas. Pagou do seu bolso todas as cartas militares da antiga Guiné Portuguesa - uma obra-prima da nossa cartografia militar de que nos orgulhamos! - e a sua digitalização na Rank Xerox. Profissionalmente é engenheiro, especialista em sistemas de refrigeração, reforma. Divide o seu tempo entre Alfragide e Portimão. Viúvo da Teresa Reis (1947-2011).


Hélder Sousa, colaborador permanente (provedor da Tabanca Grande)


Ribatejano, de nascimento (Cartaxo) e formação (Vila Franca de Xira), português, cidadão do mundo. Fur Mil Tms TSF Nov 70 / Nov 72, Piche e Bissau. Engenheiro Técnico Electrotécnico. Consultor em segurança no trabalho, aposentado. Vive em Setúbal.


José Martins, colaborador permanente (história militar e arquivos)


Nasceu em Leiria, em 5/9/1946. Vive em Odivelas. Trabalhou como contabilista. Está reformado. Serviu como Fur Mil Trms Inf, CCAÇ 5, Gatos Pretos (Canjadude, jun68/ jun70).


Mário Beja Santos, colaborador permanente (crítica literária)


Licenciado em história, assessor, aposentado, da Direção Geral do Consumidor, reputado especialista de direito do consumidor, a nível nacional e internacional, foi alf mil, cmdt Pel Caç Nat 52 (Missirá e Bambadinca, 1968/70); é autor de 4 dezenas de títulos, incluindo sobre a sua experiència de guerra, a história e a cultura da Guiné.


Patrício Ribeiro, colaborador permanente (Ambiente, economia e geografia da Guiné-Bissau)


Português, natural de Águeda, da colheita de 1947, criado e casado em Nova Lisboa, hoje Huambo, Angola, ex-fuzileiro em Angola (1969/72), a viver na Guiné-Bissau desde 1984, fundador, sócio-gerente e ex-director técnico da firma Impar, Lda; membro da nossa Tabanca Grande desde 6/1/2006.


Antigos colaboradores permanentes
  • Jorge Cabral (1944-2021), 
  • José Manuel Matos Dinis (1948-2021),
  • Miguel Pessoa, 
  • Torcato Mendonça (1944-2021)
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Nota do editor LG: